16/04/18

O Bloco Afro Ilê Aiyê


 O Bloco Afro Ilê Aiyê                                                    David Gonçalves da Cruz


“Bloco do Racismo”. Foi assim como a sociedade baiana branca apelidou o autodenominado bloco afro Ilê Aiyê, que surgiu em 1974 com “propósitos políticos-culturais para os negros brasileiros, principalmente os baianos, em um bairro de maior concentração negra da América Latina”[1].

   

É curioso ver como a estranheza e a polémica sempre acompanhou este bloco. Primeiro por parte da sociedade branca, impactada ao ler as inscrições dos cartazes que saíram à rua no carnaval de 1975: “Mundo Negro”, “Black Power”, “Negro para Você”. Depois por parte da sociedade negra ao ver como no carnaval de 2010 de Salvador o Ilê Aiyê começou a aceitar brancos entre os seus associados[2], algo que antes não estava permitido pela diretiva do “mais negro dos blocos afros”.
Uma medida que, para muitos, vai em contra duma tradição de 35 anos e dos seus objetivos que visam “preservar, valorizar e expandir a cultura afrobrasileira”, enquanto que outros, como o presidente do bloco, Antonio Carlos dos Santos, pensam que esta medida é a prova de que, ao contrário do que alguns acham, o  Ilê Aiyê nunca defendeu o separatismo mas sim a igualdade racial. Outra prova disto é o facto da entidade, através dos seus projetos sociais, atender crianças brancas, loiras, negras e ajudar a mais de 4000 jovens pobres formando-os e integrando-os no mercado laboral
Mãe Hilda, orientadora espiritual do Ilê Ayiê

  “Como espaço de socialização e apreensão de valores éticos, a Escola Mãe Hilda oferece educação básica e fundamental, como também, atividades artísticas. O Projeto conta ainda com a Escola Profissionalizante do Ilê Aiyê, que inclui em seu currículo questões sobre cidadania, abordando a história do negro e o preconceito racial, e com a Banda Erê, escola de arte e educação que resgata valores culturais africanos.”[3]
Como podemos observar, a atividade do Ilê Aiyê vai muito além do carnaval se bem que é durante o desfile que o bloco internacionaliza a sua luta e os seus objetivos, porque é durante o carnaval que a população baiana, brasileira e até mesmo mundial entra em contacto com o Ilê Aiyê e este se consolida como entidade, “mesmo não sendo veiculado nas rádios ou nas redes de televisões”.
Já no seu primeiro desfile encontramos a exaltação da beleza negra e a luta pela “reafricanização dos negros” nas letras de composições como a de Paulinho Camafeu “Que Bloco é esse?”. Através dessas composições a população negra autoafirma-se como negra, aproxima-se da “Pátria-Mãe”, África e cria um vínculo fraternal entre afrodescendentes, que vêm como o Ilê Aiyê, com a ajuda das letras das canções, lhes mostra uma reconfiguração da História da África e dos negros na diáspora.
Nas suas letras, sem que se negue a História completa, observa-se “outra África que tentam esconder”, de civilizados e civilizadores. Nelas invertem o que consideram uma história “mal contada”, repleta de imagens estereotipadas do continente africano. São canções que reivindicam as culturas africanas, que mostram a realidade do problema racial e que descrevem uma África que existia antes da chegada dos colonizadores e na que, na atualidade, não existe só miséria mas que, pese às dificuldades, “mostra sua capacidade de se transformar”.
Estas canções, antes de chegarem ao desfile, passam por um longo processo e por uma seleção prévia. Primeiro escolhe-se o tema, que pode ser sobre um país, um costume africano, ou referente à diáspora negra. Depois, leva-se a cabo uma pesquisa sobre o tema escolhido e recolhem-se as informações em “cartilhas” que serão entregues aos compositores para eles se orientarem e comporem as canções que serão inscritas, posteriormente, no Festival de Música do Ilê Aiyê, que acontece cada ano desde 1974. Finalmente, analisam-se rigorosamente e decide-se quais irão ao desfile e quais não.

O maior problema deste processo é que as informações que aparecem nas cartilhas são pesquisadas por pessoas que, na maior parte dos casos, não foram nunca ao local descrito. E, ainda que o bloco diz que “nossas descrições são mais precisas do que quem já foi no local”; a verdade é que fica sempre a dúvida de se todas as informações ali postas são completamente reais, porque se trata de imagens construídas longe da África, sem provas de que assim seja.

 

À continuação, oferecem-se alguns exemplos de letras destas composições, junto com esclarecimentos sobre alguns dos nomes próprios que nelas aparecem.

 

Heranças Bantus

Eu vim de lá
Aqui cheguei
Trabalho forcado
todo tempo acuado
sem ter a minha vez (Bis)

Dos grandes lagos
Região em que surgiu
Os Bancongos, os Bundos,
Balubas, Tongas, Xonas, Jagas Zulus
Civilização Bantu, que no Brasil concentrou
Vila São Vicente, canavial de presente,
Pau brasil, Salvador

Cada pedaço de chão,
cada pedra fincada,
um pedaço de mim
Ilê Aiyê
O povo Bantu ajudou
a construir o Brasil

Pedra sobre pedra
Sangue e suor no chão
agricultura floresce,
metalurgia aparece,
Candomblé, religião
Irmandade Boa Morte
Rosário dos Pretos, Zumbi lutador
Liderança firmada,
que apesar do tempo, o vento não levou

um legado na dança

influência no linguajar,
sincretismo na crença,
na culinária o bom paladar
Tristeza Palmares, Curuzu alegria,
Ilê Aiyê Liberdade Expressão Bantu
viva da nossa Bahia.

Esclarecimentos

-Bancongos, Bundos, Balubas, Tongas, Xonas, Jagas, Zulus: Grupos étnicos bantus.
-A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é uma igreja católica de Salvador, Baía, construída no século XVIII. Está localizada no Centro Histórico de Salvador, na ladeira do Pelourinho. É parte do centro histórico da cidade declarado Património Mundial pela UNESCO.
-Zumbi dos Palmares (Alagoas, Brasil - 1655 — 20 de novembro de 1695) foi um líder guerreiro de los escravos negros do nordeste de Brasil, famoso por ter sido o último dos líderes do Quilombo dos Palmares.
- A Batalha de Curuzu foi um conflito ocorrido em 1866, no contexto da Guerra do Paraguai.


Que Bloco É Esse (part. Criolo)

Hoje terra vai tremer
Hoje terra vai tremer
Vulcão da Bahia é tambor de Ilê Aiyê
Vulcão da Bahia é tambor de Ilê Aiyê

Onda para na pedra
Pedra não segura mar
Quem segura mar é lua
Num agrado pra Iemanjá

Liberdade é um bairro
Que a alma quer visitar
Lave a boca, limpe os pés
Na pisa que for levar

Somo crioulo doido e somo bem legal.
Temos cabelo duro é só no black power.
Somo crioulo doido e somo bem legal.
Temos cabelo duro, somos black power.

Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).

Branco, se você soubesse o valor que o preto tem.
Tu tomavas banho de piche pra ficar negrão também.
E não te ensino a minha malandragem.
Nem tão pouco minha filosofia,não?
Quem dá luz a cego é Bengala Branca e Santa Luzia.

Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).

Somos crioulo doido, somo bem legal.
Temos cabelo duro, somos black power.
Somo crioulo doido, somos bem legal.
Temos cabelo duro, somos black power.

Eu sou filho de preto
Sou brasileiro
Eu sou filho de preto
Sou brasileiro

Branco, se você soubesse o valor que o preto tem.
Tu tomavas banho de piche pra ficar negrão também.
E não te ensino a minha malandragem.
Nem tão pouco minha filosofia,não?
Quem dá luz a cego é Bengala Branca e Santa Luzia.

Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).
Que bloco é esse? Eu quero saber.
É o mundo negro que viemos mostrar pra você (pra você).

Somos crioulo doido, somos bem legal.
Temos cabelo duro, somos black power.
Somos crioulo doido, somos bem legal.
Temos cabelo duro, somos black power

Esclarecimentos

- Iemanjá é a orishá do povo egba, divindade da fertilidade na mitologia ioruba, originalmente associada aos rios e desembocaduras.


Alienação

Se você esta de ofender
É só chamá-lo de moreno pode crê
É desrespeito a raça é alienação
Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamado de negão

Se você esta de ofender
É só chamá-la de morena pode crê
Você pode até achar que impressiona
Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamada de
Negona

A consciência é o objetivo principal
Eu quero muito mais
Alem de esporte e carnaval, natural
Chega de eleger aqueles que tem
Se o poder é muito bom
Eu quero poder também

Se você esta de ofender
É só chamá-lo de moreno pode crê
É desrespeito a raça é alienação
Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamado de negão

Se você esta de ofender
É só chamá-la de morena pode crê
Você pode até achar que impressiona
Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamada de
Negona

O sistema tenta desconstruir
Lhe afastar de suas origens
Pra que você não possa interagir, construir
Já passou da hora de acordar
Assumir sua negritude é vital para prosperar

Ser negro não questão de pigmentação
É resistência para ultrapassar a opressão, sem
Pressão
Lutar sempre igualdade e humildade
Vou subir de Ilê Aiyê
E mudar toda cidade

Se você esta de ofender
É só chamá-lo de moreno pode crê
É desrespeito a raça é alienação
Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamado de negão

Se você esta de ofender
É só chamá-la de morena pode crê
Você pode até achar que impressiona
Aqui no Ilê Aiyê a preferência é ser chamada de
Negona


Diferentes, Mas Iguais

Elevar a auto estima é a sua missão
Consciência negra é a sua sina
Fabricando interlocutores de cidadania
Mostrando pra o mundo desigual a covardia

Consciência é o fruto da nossa vitória irmão
O futuro é nosso com certeza
Cantaremos em prosas e versos essa nossa ascensão
Com a força que emana da raça e o poder da canção

Êa Ilê
Êa Êa Ilê
Êa Êa Ilê
Ilê Aiyê

Zumbi...
É o reflexo da nossa luta irmão
Revela o poder da resistência
E o Ilê vem mostrando a força dos seus ideais
Ao clamar que somos diferentes, mas iguais.


Esperança de um Povo

Num canto envolvente
Vão meus sentimentos, levar a tristeza
Num ego expresso vejo o Ilê Aiye
Símbolo da raça negra

Revolta dos Búzios
História passada
Deixaram Marcas em Salvador
E o povo bahianense
Leu o boletim dos revolucionários

Homens cidadãos
Oh! Povos curvados
E abandonados pelo rei
O rei de Portugal

João de Deus, bravo guerreiro
Morreu enforcado, foi esquartejado
Por ser líder negro

A esperança de um povo
Que vivesse num mundo melhor
Liberdade, igualdade, respeito
Eu quero direito sem o preconceito
Liberta eu
Liberta eu não quero sofrer mais não
Estou na beira do abismo correndo perigo
Cadê minha libertação


Poesia Moçambicana

Moçambique
O Ilê canta você
E a sua resistência
Pra poder sobreviver
Rei Hanga e a multi-coalizão
Desde os primórdios da luta
Contra a Euro-exploração

Pra se olhar Moçambique de verdade
O Ilê Aiyê
Lembra a Luso Sangria e a pilhagem
E faz um coro
Junto a Samora Machel
Cantando abaixo ao tribalismo
Lusa herança e cruel

Meu amor é você Ilê
Meu amor é você Ilê
Moçambique Vutlari
É um sonho de liberdade
Gungunhana e Zumbi
O vento é o povo
É o poder popular
Gente a luta continua
Xiconhoca Aqui não dá

É o coral negro
Numa singela homenagem
A Moçambique e o ideal de identidade
Mais uma coisa
Eu canto com muito prazer
Josina Muthemba e a Frelimo
Correm em veias do Ilê

Esclarecimentos
-Samora Machel: Foi o primeiro presidente de Moçambique entre 1975 e 1986. É considerado como o pai da independência de Moçambique. 
-Josina Muthemba: Primeira esposa do que logo viria a ser o primeiro presidente de Moçambique, Samora Machel. Lutou na guerra da independência como guerrilheira, criou orfanatos e viajou por todo o país consciencializando as mulheres do seu papel ativo na guerra. 
-Frelimo: Frente de Libertação de Moçambique, combateu os portugueses na guerra colonial e constitui, hoje em dia, o maior partido político do país.
-Gungunhana: Foi um rei tribal e vassalo do Império Português, que se rebelou e foi derrotado pelo General Joaquim Mouzinho de Albuquerque e que viveu o resto da sua vida no exílio, primeiro em Lisboa e, mais tarde, na ilha de Terceira nos Açores.
-Xiconhoca: Na fala coloquial em Moçambique, significa "traidor", "inimigo", "bandido", "mau como as cobras". O termo teve origem, durante a ocupação colonial. Na cadeia da Machava (para presos políticos) havia um guarda prisional, de seu nome "Xico" que, por ser muito mau e ajudar a polícia secreta nas torturas, chamava-lhe "Nhoca" (cobra), daí o Xiconhoca.


O Movimento

O Ilê Aiyê traz no seu tema o negro e o poder
Para nos conscientizar que podemos vencer
A luta contra essa discriminação

Vem destacando personalidades
De uma sociedade tradicional
Que conquistou sua dignidade
Apesar do preconceito racial

Vovô nos conta que Zumbi e Ganga Zumba é a inspiração
Pra liderar com determinação
Mãe Hilda Jitolú vem nos abençoar

Seguindo a tradição
Mãe Stela orienta a comunidade
Para ir em busca da felicidade
É preciso ter coragem no seu caminhar

Gilberto Gil cantou o negro em versos e poesias
Com muito orgulho nasceu na Bahia
E hoje é ministro da nossa nação

Luiz Inácio, um sindicalista chega a presidente
Renova a esperança de toda essa gente
Que só quer liberdade de opinião

Nosso Pelé deu muita alegria ao povo brasileiro
Fazendo gol por esse mundo inteiro
E é considerado o rei do futebol

Edvaldo Brito, Luiz Alberto, Ivete Sacramento
Estamos juntos nesse movimento
Para o povo negro então viver melhor

Thabo Mbeki recorda
Que Steve Biko ficou na história
Nelson Mandela está na memória
A África do Sul jamais se esquecerá

Kofi Annan sabedoria e ancestralidade
Levando a paz para a humanidade
O Ilê Aiyê vem homenagear

O negro canta, o negro dança, o negro ginga
Tambores soam é bonito de se ver
Toda essa graça que engrandece raça
Está na simpatia do Ilê Aiyê

Esclarecimentos
-Ganga Zumba foi o primeiro soberano do Quilombo dos Palmares no Brasil colonial, durante a segunda metade do século XVII. Originalmente Ganga Zumbi foi um escravo procedente da região africana do Congo, capturado por negreiros portugueses.
-Maria Stella de Azevedo Santos,é a quinta orishá do Ilê Aiyê em Salvador, Baía
-Gilberto Gil (Gilberto Passos Gil Moreira) é um cantor, guitarrista e compositor, de Salvador da Baía, Brasil.
-Luiz Inácio Lula da Silva mais conhecido como Lula da Silva, é um político brasileiro, presidente da República Federativa do Brasil entre o 1 de janeiro de 2003 e el 31 de dezembro de 2010. Membro fundador e presidente honorário do Partido dos Trabalhadores (PT).
-Thabo Mbeki: político da África do Sul presidente do país entre 1999 e 2008.
-Edvaldo Brito: professor, advogado, tributarista, jurista e político brasileiro.
- Luiz Alberto: Futebolista brasileiro de Rio de Janeiro.
-Ivete Sacramento: antropóloga, escritora, política e etnolinguista, destacada defensora dos direitos raciais dos negros brasileiros, com ênfase nas mulheres negras.
-Steve Biko: foi um ativista anti-apartheid da África do Sul na década de 1960 e 1970.
-Kofi Annan: Foi o sétimo secretário geral das Nações Unidas, cargo que ocupou entre 1997 e 2006, e que foi galardoado, junto à ONU, com o Prémio Nobel da Paz de 2001.


Webgrafia

VI Encontro Estadual de História – Povos Indígenas, Africanidades e Diversidade Cultural: produção do conhecimento e ensino. Disponível em linha: http://www.viencontroanpuhba.ufba.br/ (último acesso: 25/03/2018).
ANPUH-BA: Disponível em linha: http://anpuhba.org/?page_id=10  (último acesso: 25/03/2018).
Frazão, Heliana, Bloco Ilê Aiyê passa a aceitar brancos no Carnaval de Salvador e gera polêmica: 2009, UOL Notícias, Salvador. Disponível em linha: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/11/28/ult5772u6412.jhtm (último acesso: 27/03/2018).
Ilê Aiyê 2018. Disponível em linha:  https://www.youtube.com/watch?v=sJj5tfFQgNQ (último acesso: 27/03/2018).
Lopes, Estefânia, ILÊ AIYÊ, QUE BLOCO É ESSE?: Afreaka. Disponível em linha: http://www.afreaka.com.br/notas/ile-aiye-que-bloco-e-esse/ (último acesso: 27/03/2018).
Matos, Dandara Silva, A IMAGEM DA ÁFRICA NAS MÚSICAS DO MAIS BELO DOS BELOS: 2013, Anais Eletrônicos-VI Encontro Estadual de História-ANPUH/BA. Disponível em linha: http://anpuhba.org/wp-content/uploads/2013/12/Dandara.pdf (último acesso: 27/03/2018).



[1]          Matos, Dandara Silva, A IMAGEM DA ÁFRICA NAS MÚSICAS DO MAIS BELO DOS BELOS: 2013, Anais Eletrônicos-VI Encontro Estadual de História-ANPUH/BA.
[2]          Frazão, Heliana, Bloco Ilê Aiyê passa a aceitar brancos no Carnaval de Salvador e gera polêmica: 2009, UOL Notícias, Salvador.
[3]          Lopes, Estefânia, ILÊ AIYÊ, QUE BLOCO É ESSE? : Afreaka.